Para MP, Bandeira de Mello foi o maior culpado pelo incêndio no Ninho

Para o Ministério Público, Bandeira de Mello foi avisado dos riscos nas instalações. E não agiu

Para o Ministério Público, Bandeira de Mello foi avisado dos riscos nas instalações. E não agiu
Flamengo

São Paulo, Brasil

“Ocultação das reais condições ante a fiscalização do Corpo de Bombeiros.

“Contratação e instalação de contêiner em discordância com regras técnicas de engenharia e arquitetura para servirem de dormitório de adolescentes.

“Inobservância do dever de manutenção adequada das estruturas elétricas que forneciam energia ao aludido contêiner.

“Inexistência de plano de socorro e evacuação em caso de incêndio e, dentre outras, falta de atenção em atender manifestações feitas pelo MPRJ e o MPT a fim de preservar a integridade física dos adolescentes.”

Foram mais de 23 meses de ‘apuração’. 

Mas, finalmente, hoje, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou aqueles que considera culpados pela morte de dez adolescentes, no incêndio no dormitório da concentração do Flamengo, na madrugada do dia 8 de fevereiro de 2019, como antecipou o R7.

Toda a culpa acabou sendo centralizada na antiga administração do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, pessoas que forneceram os contêineres que foram soldados, adaptados como dormitório. Prestadores de serviço que deveriam ter oferecido equipamentos seguros. E funcionários do clube.

Embora o terrível incêndio tenha acontecido na administração Rodolfo Landim, o Ministério Público do Rio de Janeiro aceitou a tese que o dormitório irregular e improvisado foi construído sob o controle de Bandeira de Mello.

Ficou claro para o MP que a investigação da Polícia Civil provou que o dormitório era uma adaptação irregular, mal feita. E que o incêndio teve origem no sistema elétrico que não suportou a potência dos aparelhos de ar-condicionado.

Os garotos foram surpreendidos na madrugada com o incêndio no dormitório, que era formado por contêneires soldados. E com apenas uma saída. Sem janela.

Eles morreram queimados ou sufocados pela fumaça.

O ex-presidente encabeça os denunciados.

Além dele, Antonio Marcio Garotti (ex-diretor financeiro do Flamengo), Carlos Renato Mamede Noval (atual diretor de transição do Flamengo), Marcelo Maia de Sá (ex-diretor de obras do Flamengo), Luiz Felipe Almeida Pondé (ex-engenheiro do Flamengo),

Claudia Pereira Rodrigues (diretora da NHJ, fabricante dos contêineres), Weslley Gimenes (engenheiro da NHJ), Danilo da Silva Duarte (engenheiro da NHJ ) Fabio Hilário da Silva (engenheiro da NHJ ), Edson Colman da Silva (técnico de refrigeração) e Marcus Vinicius Medeiros (monitor).

Se a justiça acatar a denúncia do Ministério Público, não há risco de prisão em regime fechado.

Porque o MP propôs o indiciamento como homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar.

O pode acontecer com os acusados, se condenados, é terem de se submeter à pena entre um ano e quatro meses a seis anos no regime aberto. Ou, no máximo, o semi-aberto, que permite que que o condenado passe o dia fora da cadeia. E só seja obrigado a dormir encarcerado.

A situação pior é de Bandeira de Mello.

De acordo com o Ministério Público, ele foi avisado das irregularidades no improvisado dormitório na concentração do Flamengo e nada fez.

Ele corre o sério risco de ser condenado ao regime semi-aberto.

Os dez meninos mortos. Pena aos culpados pode chegar a seis anos de semi-aberto

Os dez meninos mortos. Pena aos culpados pode chegar a seis anos de semi-aberto
Flamengo

Esses foram os meninos que morreram no dormitório do Flamengo.

Athila Paixão, de 14 anos; Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, 14 anos; Bernardo Pisetta, 14 anos; Christian Esmério, 15 anos; Gedson Santos, 14 anos; Jorge Eduardo Santos, 15 anos; Pablo Henrique da Silva Matos, 14 anos; Rykelmo de Souza Vianna, 16 anos; Samuel Thomas Rosa, 15 anos; Vitor Isaías, 15 anos.

Cauan Emanuel Gomes Nunes, 14 anos; Francisco Diogo Bento Alves, 15 anos; Jhonatan Cruz Ventura, 15 anos, ficaram feridos.

Devido à lentidão da justiça no país, não há previsão quando o julgamento acontecerá, caso as denúncias sejam aceitas.

Como ficou o improvisado dormitório. CBF prometeu e não cumpriu devassa nos clubes

Como ficou o improvisado dormitório. CBF prometeu e não cumpriu devassa nos clubes
REGINALDO PIMENTA/FOLHAPRESS – 8.2.2019

A devassa que a CBF prometia fazer nas concentrações dos clubes, principalmente na base, ficou na promessa.

Nem as terríveis mortes de dez garotos, na concentração do clube mais popular do Brasil, serviram para uma tomada de posição firma da entidade.

O incêndio no Ninho do Urubu envergonha o país…

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