MP acusa Fla de ‘clandestinidade administrativa’ por Ninho do Urubu

Equipes trabalham nos escombros do incêndio no Ninho do Urubu (RJ)

Equipes trabalham nos escombros do incêndio no Ninho do Urubu (RJ)
Thiago Ribeiro/Agif/Folhapress – 27.2.2019

A denúncia elaborada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro contra 11 ex-dirigentes e funcionários do Flamengo pelo incêncio no alojamento das categorias de base do clube, no CT Ninho do Urubu,  acusa o clube de ter praticado “clandestinidade administrativa” na construção dos contêineres onde tragédia dez atletas morreram e outros ficaram feridos, tragédia ocorrida em janeiro de2019. Todos foram responsabilizados pelo crime de incêndio culposo (não intencional) qualificado.

Segundo o Gaedest (Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor), o projeto de construção dos alojamentos não foi submetida à vistoria do Corpo de Bombeiros.

“Os módulos utilizados como dormitórios foram mantidos em situação de clandestinidade administrativa, haja vista a subtração ao dever de fiscalização do Corpo de Bombeiros Militar. Esta fiscalização tem início a partir do adquirente dos módulos habitacionais, que tem a obrigação de iniciar um processo junto à Prefeitura, no qual informa que em determinada área de sua responsabilidade irá utilizar uma instalação provisória na forma modula”, diz trecho do documento de 63 páginas entregue à Justiça do Rio.

Conforme pontuou a Promotoria, o ente municipal deve liberar uma licença para instalação da estrutura e, somente após tal etapa, iniciam-se as fiscalizações de praxe. No entanto, tal conduta nunca foi adotada em relação aos módulos destinados à categoria de base do Flamengo.

De acordo com a peça acusatória, o projeto para a construção do alojamento das divisões de base é originário de um croqui da formatação de ambientes internos, criado pelo engenheiro do clube. Com a autorização para a produção e instalação do alojamento conferida pela direção do Flamengo, a empresa fabricante dos contêineres instalou nove módulos acoplados de 14.64m2 cada.

Trecho da denúncia do MP-RJ sobre o incêndio no CT Ninho do Urubu, do Flamengo

Trecho da denúncia do MP-RJ sobre o incêndio no CT Ninho do Urubu, do Flamengo

Reprodução

Assim, foram produzidos seis alojamentos, uma área de convivência com três pias e uma porta de acesso. Os cômodos todos tinham vão para ar condicionado e janelas, sendo uma para cada alojamento. As janelas foram fabricadas com chapas de aço, duas básculas com vidros e grades.

Os alojamentos foram entregues ao clube com todas as instalações elétricas e hidráulicas internas prontas para uso. A ligação com as redes externas de água, esgoto e elétrica foram de responsabilidade do Flamengo.

Denunciados

Todos os denunciados, entre eles o ex-presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello, foram responsabilizados por prática de condutas comissivas e/ou omissivas, isolada e/ou conjuntamente, imperícia, negligência e/ou imprudência penalmente, consciente e voluntariamente, desde 2015 até fevereiro de 2019.

Os promotores também constataram que houve falta de manutenção das instalações elétricas e a inexistência de plano de socorro e evacuação em caso de ocorrência de incêndio.

Vítimas

O incêndio no centro de treinamentos do Flamengo matou de dez adolescentes: Arthur Vinicius de Barros Silva, de 14 anos; Athila de Souza Paixão, 14; Bernardo Augusto Manzke Pisetta, 14; Christian Esmerio Candido, 15; Gedson Corgosinho Beltrão dos Santos, 14; Jorge Eduardo Santos Pereira Dias Sacramento, 15; Pablo Henrique da Silva Matos, 14; Rykelmo de Souza Viana, 16; Samuel Thomas de Souza, 15; Victor Isaias Coelho da Silva, 15 anos. Outros três jogadores sofreram lesões graves: Cauan Emanuel Gomes Nunes, Francisco Dyogo Bento Alves e Jhonata Cruz Ventura.

Relembre as vítimas do incêndio no Ninho do Urubu:

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