A inexperiência explica a falta de coragem de Abel Ferreira

Abel Braga e Weverton. Treinador tem de agradecer ao goleiro. Derrota poderia ser muito maior

Abel Braga e Weverton. Treinador tem de agradecer ao goleiro. Derrota poderia ser muito maior
Noushad Thekkayil/EFE/EPA – 07.01.2021

São Paulo, Brasil

Abel Ferreira tem grande mérito.

Mudou completamente a maneira com que o atual elenco do Palmeiras atuava.

O time deixou de ser uma equipe previsível nas mãos ultrapassadas de Vanderlei Luxemburgo.

E passou a ser intensa, vibrante, objetiva.

Foi assim que ganhou a Libertadores, chegou à final da Copa do Brasil e está na sexta colocação do Brasileiro, tudo ao mesmo tempo.

Mas o técnico de 42 anos, que jamais havia vencido uma competição, conquistou a Libertadores já de maneira diferente.

Contra o River Plate, no Allianz Parque, seu time foi defensivo, tenso, acovardado. Perdeu para os argentinos por 2 a 0, no jogo decisivo da semifinal. Em Bueno Aires, quando buscou o ataque, se impôs por 3 a 0.

Diante do Santos, na decisão, a equipe muito abaixo tecnicamente, seu time outra vez foi muito marcador, recuado. E venceu no final da partida, por 1 a 0, gol de Bruno Lopes, depois que Cuca foi expulso e desestabilizou seu próprio time psicologicamente.

Em Doha, hoje, contra o Tigres, na semifinal do Mundial, outra vez, o Palmeiras jogou atrás, sem personalidade. Dando ao adversário a iniciativa do jogo, a busca pela vitória. O time brasileiro buscava apenas contragolpes esporádicos.

Enorme decepção que foi ‘premiada’ com a derrota merecida, por 1 a 0.

Deu adeus à decisão do Mundial.

E vai apenas disputar a terceira colocação.

Ao final do jogo, Abel Ferreira se recusou a confirmar o óbvio.

O quanto seu time foi acovardado e facilitou a vitória mexicana.

Até as declarações foram decepcionantes.

“Muita gente não conhece nossos adversários. Falei antes que é um adversário com muita qualidade individual e coletiva. Fez isso contra nós e contra todos. Nós tivemos nossas oportunidades, adversário também teve.

“Esses jogos são definidos por detalhes, e hoje foi um pênalti que fez a diferença. Vamos valorizar o que fizemos e o que o adversário fez.

“Não jogamos sozinhos.

“(…) Não fomos tão eficazes como costumamos ser.

“Nesses jogos todos os detalhes contam.”

Ou seja, ele fez questão de não assumir a péssima decisão tática que escolheu.

Patrick de Paula. A desilusão do Palmeiras, na derrota pela escolha tática de Abel Ferreira

Patrick de Paula. A desilusão do Palmeiras, na derrota pela escolha tática de Abel Ferreira
REUTERS/Mohammed Dabbous

O Tigres tem uma equipe mais fraca tecnicamente.

Só que sem coragem para atacar, qualquer time fica exposto à derrota.

“Quando ganhamos não está tudo bem. E quando perdemos não está tudo mal. Mas vamos lutar para ganhar até o fim. Infelizmente, a bola não quis entrar. Foi um jogo que foi definido por um detalhe: o pênalti”, disse, sem convicção, Abel Ferreira.

Ele sabe que sua equipe foi derrotada por uma equipe pior.

Mas não quis assumir.

A falta de experiência do português, em decisões importantes pesou.

Se na Libertadores, o Palmeiras sobreviveu.

Nesta semifinal, sucumbiu.

Com justiça, o Tigres foi o primeiro time mexicano a vencer um sul-americano em um Mundial.

E chegar à decisão do título.

Se não fosse por Weverton, com três grandes defesas, os mexicanios poderiam ter goleado.

Só resta a Abel Ferreira absorver a experiência.

E perceber que ele já tinha o caminho para o Palmeiras ser campeão.

Ser intenso, ter personalidade, atacar, buscar os gols.

Recuar o time na sua intermediária, tentar apenas contragolpes, em chutões, lançamentos, é uma postura de equipes pequenas, sem jogadores de talento.

O que não é a situação do Palmeiras.

Abel Ferreira estava nervoso durante todo o jogo.

Foi o peso da inexperiência.

Que sabotou seu trabalho.

E o Palmeiras em uma das partidas mais importantes de sua história.

O clube tinha elenco para estar na final do Mundial.

Faltou coragem de Abel.

E seu time vai apenas disputar o terceiro lugar no Catar…

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