Após teto, juros do cheque especial caem mais da metade em um ano

Há um ano, juros do cheque especial estava em 306,6% ao ano, agora, está em 113,6%

Há um ano, juros do cheque especial estava em 306,6% ao ano, agora, está em 113,6%

Fotos Públicas

Os juros do cheque especial caíram mais do que a metade entre janeiro de 2020 e janeiro de 2021. Por conta das novas regras estabelecidas para a modalidade de crédito — que fixaram o teto de 8% ao mês, equivalente a 151,8% ao ano — a taxa, que em novembro de 2019, período anterior a limitação, marcava 306,6% ao ano, caiu para 113,6% ao ano em novembro do ano passado.

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Para se ter ideia, considerando a taxa de novembro de 2019, uma dívida de R$ 1.000, adquirida em novembro daquele ano, custaria R$ 4.066 em um ano se as condições permanecessem iguais. Ou seja, o valor seria quatro vezes maior. 

“A regulamentação de linhas emergenciais de crédito existe tanto em economias avançadas como em outros países emergentes. O sistema antigo do cheque especial, com taxas livres, não favorecia a competição entre os bancos. Isso porque a modalidade é pouco sensível aos juros, sem mudar o comportamento dos clientes mesmo quando as taxas cobradas sobem”, explica o BC. 

Por conta do novo limite, os juros do cheque especial chegaram a cair por quatro meses consecutivos, de abril a junho do ano passado. Nesse período, a taxa chegou a 112,7% ao ano, ou seja, expressivamente menor do que os juros praticados anteriormente ao teto. 

Até novembro, mês referente à ultima análise feita dos juros do cheque especial pelo Banco Central até então, a taxa variou entre 112% e 114%. Na última divulgação, os juros do produto de crédito atingiram 113,6% ao ano, referente ao mês de novembro. 

No mesmo exemplo anteriormente, uma dívida adquirida em novembro do ano passado, no valor de R$ 1.000, chegará a custar R$ 2.136 em um ano, caso as condições se mantenham. O valor é mais de duas vezes maior do que o original, mas ainda sim, é menor do que seria há um ano.

Bola de neve

O BC (Banco Central) explica que o teto de juros pretendia tornar o cheque especial um produto de crédito mais eficiente e menos prejudicial para população mais pobre, que acaba por ser a que mais utiliza o produto e que mais se endivida posteriormente, a famosa bola de neve.

No entanto, apesar do teto de juros, o cheque especial, ao lado do cartão de crédito, segue como sendo um dos produtos de crédito mais caros disponíveis no mercado. 

“Essa preferência (pelo cheque especial e cartão de crédito) tem duas explicações. A primeira é o baixíssimo nível de educação financeira e total desconhecimento do assunto. E a segunda é que muitas vezes não é preferência, mas, sim, desespero. A pessoa já está pendurada em uma linha de crédito, vai atrás de outra para arrolar dívida e assim sucessivamente”, explica Arthur Igreja, professor convidado da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Para o BC, o novo conjunto de regras, que completa um ano, segue como uma oportunidade para reflexão do cliente. “É a hora de verificar se o limite que está sendo disponibilizado é adequado ou não e rever. Mesmo tendo essa redução da taxa de juros, vale verificar também se não há uma alternativa mais adequada a sua necessidade”, afirma o banco.

 

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