Após 1 ano, famílias ainda tentam provar que foram vítimas da Backer

Ninguém foi punido pelos casos de intoxicação por consumo de cerveja

Ninguém foi punido pelos casos de intoxicação por consumo de cerveja
Divulgação / MPMG / André Lanna

Um ano depois da abertura de uma investigação sobre intoxicações causadas após o consumo de cervejas da Backer, em Belo Horizonte, dezenas de pessoas ainda tentam provar, na Justiça, que foram vítimas da empresa.

O inquérito da Polícia Civil, concluído em junho de 2020, considerou 29 vítimas. Desse total, 10 morreram em decorrência de complicações de saúde causadas pela contaminação. Na época, a corporação disse que, apesar da conclusão do inquérito, as famílias de outras possíveis vítimas poderiam buscar a Justiça para que seus casos sejam avaliados. 

Entre os casos, há relatos de mortes ocorridas ainda em 2019, um ano antes do início das investigações. Um deles é a de um empresário, então com 72 anos, que teve a identididade preservada a pedido da família.

O idoso começou a apresentar um quadro de problemas renais e neurológicos alguns dias depois de consumir a cerveja Belorizontina no aniversário do neto, que completava cinco anos, no mês de agosto. O filho da vítima, que prefere não ser identificado, contou à reportagem que o pai era fã da cervejaria e foi um dos únicos no evento a consumir o produto.

O empresário precisou ser internado, colocado em coma induzido e passou por hemodiálise. Mesmo após ser tirado do sedativo, o idoso não respondia perfeitamente aos estímulos médicos. Segundo a família, vez ou outra ele conseguia mexer um dos membros ou movimentar o corpo.

Menos de um mês depois, ele sofreu uma parada respiratória e morreu no hospital. A certidão de óbito consta doença renal e pneumonia, lembra o filho do paciente.

— Na época, nós pensamos que ele estava escondendo alguma doença de nós. Em janeiro de 2020 eu comecei a ficar incomodado com o que estava vendo sobre o caso Backer porque meu pai gostava muito da Belorizontina. Quando eu vi uma das vítimas em uma reportagem de TV falei na hora que o quadro era igual ao do meu pai e avisei a minha mãe.

Na época, a família do empresário procurou a polícia para relatar o caso e entregou um relatório médico indicando que os sintomas apresentados pelo idoso eram similares aos dos intoxicados pela cerveja da marca mineira.

Comprovar o óbito

O óbito chegou a constar no balanço de registros do Cievs (Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Estado de Minas Gerais), mas não entrou no primeiro relatório da Polícia Civil, segundo parentes, por falta de um trecho do prontuário médico, que foi providenciado em seguida. Agora, a família aguarda o reconhecido do empresário como vítima

— O que eu quero é que os responsáveis por isto sejam presos, no mínimo. Quero que eles sejam punidos.

O advogado Guilherme Leroy, que acompanha cinco pessoas na mesma situação, ressalta que há dificuldades em se comprovar as contaminações.

— Cada caso está em um momento diferente. Tem gente aguardando as conclusões do delegado e outras que aguardam análise da perícia. Como a substância não fica muito tempo no organismo e estes casos são antigos, a pessoa tem que fazer uma constatação indireta, comprovando que ela teve sintomas e ingeriu a bebida.

Procurada, a Polícia Civil disse que não comenta mais a investigação. 

Justiça

Até o momento, um ano após o início das investigações sobre a contaminação, ninguém foi punido. Em outubro, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra 11 pessoas, entre elas os três sócios-diretores da cervejaria Backer.

Além deles, sete funcionários também viraram réus no processo. Um deles, o responsável técnico da cervejaria, Luiz Paulo Lopes morreu em decorrência de um AVC. Ele tinha 40 anos. Uma outra pessoa foi incluída no processo por falso testemunho.  

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